domingo, 27 de dezembro de 2009
sábado, 19 de dezembro de 2009
Matéria do globo repórter, um ensinamento!
Jovem reaprende a andar depois de perder os movimentos
Aos 14 anos, Messias de Oliveira ficou tetraplégico. Hoje ele ajuda na reabilitação de pessoas que sofreram o mesmo trauma.
É quase impossível passar pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, sem parar um pouquinho e apreciar a vista. Mas para o jovem auxiliar administrativo Messias de Oliveira parece um milagre ver a paisagem de pé e caminhando. Messias sempre gostou da natureza, da água. E foi o mergulho em um rio que marcou a vida dele, aos 14 anos.
“Eu só senti o impacto. Em alguns instantes, pensei que estivesse perdido no espaço, no escuro, até o momento em que abri os olhos na água. Eu falei: ‘Meu Deus, estou morrendo’”, lembra Messias.
Na hora, ele ficou tetraplégico. “Quando a minha prima me tirou, e eu estava às margens do rio, ela foi buscar ajuda. As pessoas que chegaram não sabiam o que estava acontecendo. Então, pegaram nas minhas pernas e braços e tentaram me levantar, só que eu não sentia meu corpo”, conta.
“Eu fiquei com a cabeça sã em um corpo relativamente morto. Isso é muito marcante”, diz ele.
Messias tinha o olhar restrito ao teto e aos corredores de hospitais, em uma cadeira de rodas ou deitado. Ele não se movia do pescoço para baixo. O adolescente cheio de energia agora dependia de ajuda para tudo.
“O pior momento foi a primeira vez em que eu o vi. Ele só mexia os olhos e perguntou ao médico se iria voltar a andar. O médico disse para ele nem se mexer muito porque a qualquer momento podia morrer", conta a irmã Verônica de Oliveira.
Foram seis meses de agonia, com um colar cervical sustentando a cabeça, até que outro médico acreditou nas chances de Messias.
Ele tinha fraturado quatro vértebras na altura do pescoço, e elas comprimiam a medula óssea, impedindo os movimentos. Por sorte, a medula não se rompeu. Em uma cirurgia, a posição das vértebras foi reconstituída com o auxílio de pinos e de uma placa de titânio.
“Ele teve uma lesão que comprimia a medula de forma severa, de modo que a cirurgia consistiu na descompressão da medula e no trabalho de reabilitação, que é fundamental nesses casos, sobretudo a recuperação e a determinação do paciente”, explicou o cirurgião Deusdeth Gomes do Nascimento.
Repetir, repetir, repetir. Imagine até oito horas por dia cinco vezes por semana. Essa foi a rotina de Messias durante anos. Como todos determinados a superar problemas assim, é claro que ele contou com a ajuda da medicina, mas também fez a parte que cabe a cada um: ter perseverança e acreditar nos resultados.
Messias começou a recuperar os movimentos logo depois da operação. Nove meses após o acidente, caminhava de novo. E queria mais!
“Eu passei muito tempo vendo o mundo pela metade. Quando comecei a perceber o quanto é importante acordar, olhar o céu, a natureza, exercitar a cidadania, observar os transportes, as barreiras que essas pessoas que ainda estão na cadeira enfrentam e lutar por isso, lutar por uma qualidade de vida melhor, sempre”, ressalta Messias.
Messias voltou a estudar. Durante um ano, treinou escrever com a mão esquerda e virou canhoto para compensar as limitações da mão direita. Hoje, trabalha na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), onde foi tratado, e entrou para a faculdade. O aluno aplicado está se formando em psicologia neste mês.
“Ele gosta de trabalho perfeito. Então, para fazer trabalho com ele, as pessoas têm que se dedicar de verdade. Se não for se dedicar, não adianta fazer com ele”, conta a estudante Raquel Alonso.
“Nunca nós o vimos na sala reclamando de alguma coisa da vida, ou da aula, ou de situação financeira”, diz o estudante André Emílio Costa.
A turma acompanhou a evolução do colega para caminhar. Todos os dias, nos cinco anos de curso, o estudante Francisco Barros ajudou Messias a chegar até o ponto de ônibus.
“No início, ele tinha muita dificuldade de se locomover. Até nós chegarmos no ponto, parava várias vezes. Nós levávamos aproximadamente 25 minutos a meia hora”, lembra o estudante Francisco.
Uma amizade colocada à prova, em uma dessas noites.
“Duas pessoas que estavam em uma moto assaltaram uma menina bem na saída da faculdade e saíram com armas nas mãos dando tiros”, conta Francisco.
“Eu também estava com medo, mas o Francisco não podia ser atingido por minha culpa”, diz Messias.
“Ele disse para eu correr que ele ficava. Eu falei: ‘Messias, não vou correr. Vamos ficar nós dois. Se morrermos, morreremos juntos’”, brinca o amigo Francisco.
Juntos, chegaram ao fim do curso. E um com o outro aprenderam bem mais do que a profissão de psicólogo.
“Eu tinha o hábito de começar um curso e não dar continuidade. Comecei vários curso e não prossegui. Por várias vezes, me inspirei no Messias”, define Francisco.
O rapaz nascido e criado no interior de Pernambuco desconhece a palavra "impossível".
“Alguns até me chamaram de louco, perguntaram como eu ia cavalgar. Eu digo que é a minha paixão. Se eu não lutar por aquilo que me move, de que adianta viver?”, questiona Messias.
Pura paixão: pelos cavalos, pela vida. Foi como Messias reconquistou tudo o que parecia ter sido tirado dele. Em uma hípica ele reencontrou a infância, o que gostava de fazer quando menino. Retomou as rédeas da própria história.
Hoje mais maduro, ainda é como aquele jovem de 15 anos atrás, antes do mergulho, cheio de sonhos para realizar.
“É uma sensação incrível estar em cima de um cavalo”, conta ele.
O próximo passo é ajudar, como psicólogo, na reabilitação de pessoas que também enfrentam situações difíceis.
“Minha vontade era vê-lo andando, isso para mim já seria uma glória. Vê-lo se formando é uma emoção e tanto”, ressalta a irmã.
Emoção para todos os personagens desta história. O rapaz que reaprendeu a andar sabe que não teria conseguido nada sozinho.
“Eu acho que a verdadeira amizade nunca morre, nem quando a morte se faz presente. Onde nós estivermos, continuaremos. Nosso corpo é a matéria que, às vezes a gente dá tanto valor, que serve para alcançarmos objetivos terrestres. Mas nossa essência, nossa alma, é muito mais forte”, afirma Messias.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Dores nas pernas
Claudicação Intermitente O que é claudicação intermitente?
É a dor que aparece geralmente na panturrilha (batata da perna) durante uma caminhada. Esta dor costuma desaparecer quando a pessoa pára de andar e descansa, retornando assim que a mesma volte a caminhar. A claudicação intermitente é um sintoma muito comum em quem têm problemas de circulação arterial nas pernas, e quanto mais curta for à distância percorrida até o seu surgimento, mais significativa é a doença circulatória.
O que causa a claudicação intermitente?
A claudicação intermitente acontece pela diminuição da circulação do sangue nas pernas, causada pelo “entupimento” progressivo dos vasos sanguíneos chamados de artérias. Esse entupimento ocorre, pelo aparecimento e crescimento de placas de gordura na parte interna das artérias (aterosclerose). Isso diminui o diâmetro interno das artérias e, assim, menos sangue e oxigênio conseguem chegar às pernas, o que causa a dor.
Quantas pessoas têm claudicação intermitente? Em que idade ela é mais freqüente?
Aproximadamente 5% das pessoas têm claudicação intermitente. Ela aparece principalmente entre os 55 e 60 anos de idade, por causa da aterosclerose. Porém, quando a claudicação intermitente aparece em pessoas mais jovens, isso pode ser um sinal de outras doenças menos comuns como a Tromboangeíte Obliterante (inflamação das artérias relacionada ao uso de cigarros), o entrelaçamento da artéria poplítea (alterações congênitas da musculatura da perna) e o cisto da artéria poplítea, entre outras.
O que pode aumentar a chance da pessoa ter claudicação intermitente?
Como uma das principais causas da claudicação intermitente é a aterosclerose, tudo aquilo que aumente a chance desta doença aparecer também aumentará o risco de claudicação intermitente. Entre os fatores de risco mais importantes podemos citar: o fumo, os altos níveis de colesterol e triglicérides (tipos de gorduras) e açúcar (diabete melito) no sangue, pressão alta (hipertensão arterial), idade acima de 45 anos para homens e de 55 anos para mulheres e história de morte súbita antes dos 55 anos para o pai e antes dos 65 anos para a mãe.
O que acontece com quem tem claudicação intermitente?
No início do problema e nos casos mais leves, a dor nas pernas costuma desaparecer quando a pessoa descansa ou diminui o esforço da caminhada. Com o passar do tempo, ela começa a sentir dor depois de andar cada vez menos (por exemplo, antes sentia dor após andar 300 metros e agora sente aos 150 metros), mas a dor ainda passa com o descanso. Depois disso, a dor continua mesmo no descanso e piora a noite, obrigando a pessoa a ficar com o pé para baixo ou “pendente” para sentir menos dor (deixando o pé para baixo, fica um pouco mais fácil do sangue chegar ao pé, e a dor tende a diminuir um pouco). Esse é um estágio já avançado da doença e necessita de tratamento endovascular ou cirúrgico. Nos casos mais graves, a falta de sangue e de oxigênio é tão grande que partes da perna ou do pé (no começo os dedos dos pés, depois podendo avançar para o ante-pé e o restante da perna) podem gangrenar se a pessoa não for tratada adequadamente.
Quais são os tipos de tratamento da claudicação intermitente?
Há vários tipos de tratamento, e a escolha vai depender da gravidade do problema e se a pessoa tem ou não outras doenças associadas. De qualquer forma, sempre é fundamental que o indivíduo (caso seja fumante) pare de fumar. Os casos mais leves são tratados com medicamentos que dilatam os vasos (assim, mais sangue e oxigênio passam), chamados de vaso-dilatadores. O colesterol e os triglicérides são tratados com medicamentos que diminuem seus níveis por exemplo as estatinas e ainda os que diminuem a tendência de formação de coágulos (por exemplo, inibidores da enzima de conversão) como o AAS.
Porque é bom caminhar mesmo tendo claudicação intermitente?
A caminhada é um dos exercícios mais benéficos e quase todos podem praticar. Quando ela é feita adequadamente e sob orientação médica, ajuda a aumentar a capacidade de funcionamento do coração, dos pulmões, e também dos músculos das pernas. A caminhada fortalece esses músculos, facilitando o bombeamento de sangue e a chegada de oxigênio para as pernas. Para aqueles que não praticam exercícios físicos e têm vida sedentária, recomenda-se que nos primeiros dias a caminhada seja “leve” e feita durante cerca de 10 minutos, no mínimo três vezes por semana.
Depois, pode-se aumentar progressivamente o tempo da caminhada (por exemplo, primeira semana = 10 minutos por dia; segunda semana = 15 minutos por dia, e assim sucessivamente até se atingir cerca de 30 minutos de caminhada por dia), durante pelo menos três vezes por semana. Lembrar que a caminhada, como qualquer outro exercício físico, não deve ser feita em jejum (por isso, sugere-se que a pessoa coma alguma coisa “leve” antes do exercício). Deve-se caminhar tranqüilamente, sem “exagerar”, pois o excesso de esforço físico também pode causar problemas de saúde. É importante dizer que, quando se interrompe esse ritmo semanal de caminhada, por qualquer que seja o motivo, a pessoa deve recomeçar (por exemplo, primeira semana = 10 minutos por dia, etc...), com calma e sempre com orientação do seu médico.
Quem tem claudicação intermitente pode ter outras doenças?
Sim, porque a causa principal da claudicação intermitente, a aterosclerose, pode afetar não somente a circulação do sangue nas pernas, mas também a de outros órgãos. Como exemplo mais grave temos a falta de circulação de sangue no cérebro (isquemia cerebral), infarto do coração e arritmias (o coração bate irregularmente), pressão alta e mal funcionamento dos rins, entre outros problemas.
É importante se exercitar!
Mesmo no dia-a-dia, você também pode se exercitar de uma forma fácil e leve. É só não exagerar! Por exemplo, em vez de você subir ou descer um andar de elevador ou de escada rolante, faça isso a pé pelas escadas (caso não haja contra-indicação médica). Vá à padaria ou ao jornaleiro perto da sua casa a pé em vez de usar o carro. O exercício ajuda também a perder peso, a controlar o problema de colesterol e também o diabete. Exercite-se e tenha uma vida mais saudável!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Depressão Contra o Natal!
A depressão é uma doença que afeta as pessoas de uma maneira voraz, comprometendo a parte física, o humor e o pensamento. Ela altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer em relação a vida. A depressão modifica a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa e percebe as coisas. A depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar "mau" ou de "baixo astral" temporário. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço. As pessoas com doença depressiva não podem, simplesmente, melhorar por conta própria e através dos pensamentos favoráveis, conhecendo pessoas novas, viajando, passeando ou tirando férias. Sem tratamento adequado e intenso, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos.
A depressão, de um modo geral, resulta numa inibição global da pessoa, afeta a parte psíquica e as funções principais da mente, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, além de comprometer também a parte física. Enfim, tudo parece ser difícil, problemático e cansativo para o deprimido.
Do ponto de vista clínico, seria simples e muito mais fácil se a depressão fosse caracterizada, única e exclusivamente, por um rebaixamento do humor com manifestação de tristeza, choro, abatimento moral, desinteresse e tudo aquilo que todos sabemos que uma pessoa deprimida é capaz de apresentar.
Desta forma, até os amigos, os pais ou mesmo o companheiro(a) poderiam identifica-la. A parte mais difícil e trabalhosa da psiquiatria está no diagnóstico dos muitos casos de depressão atípica, característica ou mascaradas, bem como, perceber traços depressivos em outras patologias emocionais como, por exemplo, nos casos de pânico, fobia, etc.
A sintomatologia depressiva é muito variada e difere entre as pessoas. Para entendermos melhor essa diversidade de sintomas depressivos, vamos considerar que, entre as pessoas, a depressão seria como uma grande bebedeira, onde cada pessoa alcoolizada fica de um jeito: uns alegres, outros tristes, irritados, engraçados, lentos, desatentos, sendo que a única coisa que teriam em comum é o fato de terem ingerido uma grande quantidade de álcool.
Normalmente a depressão vem acompanhada de sintomas físicos como dores pelo corpo, tonturas, cólicas, falta de ar, palpitação, enjôo e emocionais: tristeza, angústia, ansiedade, medo, baixa de rendimento, e queda da libido, choro constante e apatia, dentre outros sintomas.
As festas de Final de Ano, são grandes potencializadores de emoção e podem, tanto desencadear um quadro depressivo nos indivíduos fragilizados emocionalmente, com agravar os sintomas naqueles que já convivem com a depressão. Parece estranho como festividades e suas expressões reconhecidamente felizes são capazes de “maltratar” as pessoas.
Todos nós já escutamos comentários negativos a respeito das festividades que compõem o calendário anual, mas o Natal e seus desdobramento afetivos como - reunião de família, prestígio entre as pessoas, expectativa dos presentes ( que compramos e vamos receber) , recordações da infância, os próprios enfeites de Natal, as nossas realizações e frustrações do ano, está no topo da lista das comemorações mais emocionantes do planeta.
Por conta disso, precisamos estar atentos a forma como estamos vendo e sentido as emoções que tomarão conta das cidades e lares nos próximos dias, pois nesta altura, já temos uma boa idéia de como iremos nos sair nesta festividade.
O Natal, e mesmo as comemorações do final de ano, precisam ser vividas com expectativas mais viáveis e uma programação que nos traga felicidade e sossego, não angústia e ansiedade a ponto de ficarmos exaustos e mal humorados.
O Natal, na realidade deveria ser o momento para pensamos em nos renovar, nos melhorar para o próximo ano, nos reeditar com mais bondade e generosidade e as festividades de Ano Novo a oportunidade de dizer adeus ao ano velho e bendizer seus bons momentos.
Feliz Natal!!!!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Trigger Points (Ponto gatilho ou nó)
Por volta do final da década de 20, um alemão chamado Max Lange descobriu que nos músculos podiam aparecer pontos sensíveis e que o tecido nesses pontos se apresentava mais rígido que os circundantes. Esses pontos foram batizados em 1948 pela doutora Janet Travell, médica da Casa Branca na gestão Kennedy. Ela os chamou de pontos-gatilho miofasciais e desenvolveu um método de tratamento usando injeções de solução salina nestes pontos. Mais tarde descobriu-se que era possível desativar os pontos-gatilho usando apenas a pressão direta sobre eles. Então, por definição, um ponto-gatilho é um local no músculo altamente irritável que se apresenta rígido à palpação e que produz dor, limitação na amplitude de alongamento, fraqueza sem atrofia e sem déficit neurológico.Os pontos-gatilho são instalados num músculo toda vez que este for sobrecarregado e exigido além da sua capacidade de tolerância no momento. Uma vez instalado ele pode ficar em estado de latência por muito tempo, às vezes anos, até ser ativado. Para ativá-lo basta apenas que se some a ele uma situação de stress físico e/ou emocional e uma nova sobrecarga do músculo. Quando ativado ele produz um espasmo doloroso em algumas fibras do músculo. A situação se complica quando o sistema nervoso, recebendo o sinal de dor, intervém exigindo que o músculo se contraia, numa tentativa de defendê-lo. Esta nova contração sobre o espasmo doloroso produz mais dor. Fecha-se então um ciclo vicioso em que quanto mais dor for produzida pela contração, mais contração o sistema nervoso pede ao músculo. E o que começou com algumas fibras, logo envolve o músculo inteiro e até mesmo outros próximos, abrangendo toda uma região. Como exemplo disso temos então um torcicolo ou uma lombalgia.
Como tratá-los? Antes de mais nada é preciso localizar os pontos através da palpação. Então pressioná-los por mais ou menos dez segundos. Isto vai desativá-los. Pode ser bem doloroso, devendo por isso ser feito com calma e sensibilidade. Depois, deve-se alongar os músculos onde eles estavam instalados para devolver a eles sua extensão normal de alongamento.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O ESPORÃO DE CALCÂNEO
| Como é sabido, os exercícios são fundamentais para o bem estar do ser humano. A máquina humana necessita de atividades físicas para manter o equilíbrio, harmonia e regulagem dos nossos vários sistemas e não raro somos obrigados por ordem médica a realizarmos caminhadas regulares, perder peso ou praticar alguma forma de exercício para mantermos o nosso equilíbrio. | |||||||
| Devido a isto estamos expostos às mais variadas doenças do aparelho locomotor, sejam atletas profissionais ou os chamados atletas de fins de semana e ainda pessoas que trabalham em pé ou andam muito por longos períodos. | |||||||
| Os nossos pés são o meio de contato com o solo, são responsáveis pela absorção do impacto e distribuição do nosso peso quando corremos ou mesmo durante a marcha normal. Durante o apoio do pé no solo nem toda a planta do pé mantêm contato com o chão, temos um triângulo com três pontos que dá sustentação durante a marcha, posteriormente o osso calcâneo, na inserção da fáscia plantar e 2 apoios na parte anterior do pé que são as cabeças do 1º e 5º metatarsos. | |||||||
| |||||||
| É importante fazermos a distinção entre fascite plantar e o esporão de calcâneo. O esporão é um crescimento ósseo que ocorre no osso calcâneo e localiza-se adjacente à fascia plantar. Antigamente um dos tratamentos era a resseçção cirúrgica do esporão e sabemos hoje que a presença ou ausência, bem como o tamanho do esporão plantar do calcâneo não é a causa da dor. | |||||||
| Pessoas com peso excessivo ou que necessitam trabalhar em pé ou andar por longos períodos são considerados de alto risco em apresentar a FP. | |||||||
| Alterações na formação do arco dos pés (queda ou acentuação do arco, conhecidos como pé chato ou pé plano) também são fatores causais da doença. | |||||||
| A queixa mais comum é a dor no calcanhar ao levantar-se no período da manhã e que melhora após algum tempo, dor intensa a tal ponto que o paciente tem que andar muitas vezes na ponta do pé. | |||||||
| De maneira geral o quadro clinico é crônico, com duração de vários meses e acompanhado por períodos variáveis de remissão expontânea. | |||||||
| Os exames de radiografias simples podem ou não mostrar um esporão ósseo, sendo a ultrassonografia um método importante de avaliação da integridade e qualidade da fáscia plantar. | |||||||
| O tratamento inicialmente é sempre conservador, isto é, medicação com antiinflamatórios, uso de palmilhas para absorção do impacto, fisioterapia com exercícios para alongamento da fáscia plantar. Deve-se suspender as atividades de corrida ou longas caminhadas e perder qualquer peso excessivo. | |||||||
| Em torno de 70% dos casos o tratamento conservador traz bons resultados e naqueles pacientes que não melhoram está indicado o tratamento cirúrgico, apesar dos resultados serem discutíveis. | |||||||
| A Medicina tem evoluído nos últimos tempos proporcionando novos métodos de tratamentos mais eficazes, menos invasivos e com menores riscos ao paciente. | |||||||
| É o caso da Terapia por Ondas de Choque Extracorpórea (foto do aparelho Epos Ultra), que chegou recentemente ao Brasil e está sendo ministrada por ortopedistas em algumas cidades como São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Através de um aparelho fora do corpo humano, as ondas de choque são aplicadas no local da inflamação produzindo uma neovascularização com consequente reparação do tecido inflamado. | |||||||
| Ondas de choque são ondas mecânicas, acústicas e não tem relação com eletricidade e não emitem calor. O procedimento é realizado por um médico ortopedista, em 3 aplicações com intervalos semanais e duração em média de 45 minutos. | |||||||
| É uma alternativa ao tratamento cirúrgico, com 90% de bons resultados no tratamento da fascite plantar.Também está indicado nos pacientes que se submeteram à cirurgia e que continuam com os sintomas (30% dos casos). | |||||||
| Apresenta muitas vantagens com relação ao tratamento cirúrgico: | |||||||
| - método não invasivo, sem cicatrizes | |||||||
| - não requer internação hospitalar | |||||||
| - não necessita de anestesia, com eliminação dos riscos da cirurgia e anestesia | |||||||
| - não causa outros problemas possíveis decorrentes dos riscos cirúrgicos e anestésicos | |||||||
| - não é considerado doping | |||||||
| - recuperação num curto espaço de tempo | |||||||
| - não requer afastamento do trabalho | |||||||
| - não necessita preparo especial prévio. | |||||||
| Apresenta mínimos efeitos colaterais: | |||||||
| - desconforto local discreto durante a aplicação | |||||||
| - aparecimento de pequeno hematoma no local da aplicação que desaparece expontaneamente em 24 horas. | |||||||
| Contra-indicações em pacientes com: | |||||||
| - marca-passo cardíaco | |||||||
| - gestantes | |||||||
| - crianças | |||||||
| - pacientes com distúrbios de coagulação. | |||||||
| A terapia por ondas de choque é indicada para doenças do sistema osteomuscular tais como as calcificações no ombro, as epicondilites (cotovelo de tenista ou golfista) e pseudo-artroses (fraturas que não consolidam). | |||||||
| Durante o tratamento utiliza-se um aparelho de ultrassonografia que traz um "cross-hair" (mira), proporcionando durante todo o tempo da terapia a localização exata e on-line da área a ser tratada, com precisão exata do local inflamado e focando a onda de choque no ponto necessário da lesão. | |||||||
| O método é comprovadamente eficaz no meio médico internacional, sendo utilizado na Europa desde 1990 com bons resultados em torno de 90% dos casos. Aproximadamente 2,5 milhões de norte-americanos apresentam FP e estima-se que 1 milhão de brasileiros procuram os consultórios de ortopedia com os sintomas da doença. | |||||||


